Foto: Rodrigo Bueno/Credito: Valois Studio.

 

•Por Rodrigo Bueno, especialista em marketing político

Uma pesquisa divulgada no dia 11 de março de 2026 pelo instituto Genial/Quaest revela um cenário de crescente desgaste institucional no Brasil, especialmente em relação ao Supremo Tribunal Federal. O levantamento, realizado com 2.004 eleitores em 120 municípios e margem de erro de dois pontos percentuais, aponta que a desconfiança na Corte atingiu o maior nível da série histórica.

Pela primeira vez, a parcela de brasileiros que afirma não confiar no STF (49%) superou o grupo que declara confiança na instituição (43%). Em apenas 15 meses, a desconfiança cresceu 11 pontos percentuais, indicando uma deterioração significativa na percepção pública sobre o papel do Supremo no sistema político.

A pesquisa também mostra que 72% dos eleitores acreditam que o STF possui “poder demais”, enquanto apenas 18% discordam dessa avaliação. O dado reforça a percepção de desequilíbrio institucional e amplia o debate sobre os limites entre os poderes da República.

Esse ambiente de desconfiança ganhou força após a repercussão do chamado Caso Master, escândalo que envolveu o Banco Master e gerou questionamentos sobre decisões judiciais e sua relação com interesses econômicos. O episódio colocou o STF no centro de uma das maiores controvérsias políticas recentes e ampliou a discussão sobre transparência e legitimidade institucional.

De acordo com o levantamento, 65% dos brasileiros afirmam conhecer a prisão do ex-presidente do Banco Master, enquanto 33% dizem nunca ter ouvido falar do caso, indicando que a repercussão do episódio ainda não atingiu parte significativa do eleitorado.

Os efeitos políticos do escândalo já começam a aparecer nas intenções de voto. Segundo a pesquisa, 38% dos eleitores afirmam que evitariam votar em candidatos associados ao caso, enquanto outros 29% dizem que levariam o episódio em consideração na hora de decidir o voto.

O impacto também se reflete no debate institucional. 66% dos brasileiros consideram importante votar em senadores comprometidos com a possibilidade de impeachment de ministros do STF, sinalizando que o tema deixou de ser restrito a nichos políticos e passou a integrar o debate eleitoral mais amplo.

No cenário presidencial, o levantamento indica um ambiente ainda indefinido. Em uma simulação de segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro aparecem empatados com 41% das intenções de voto, com crescimento recente do senador fluminense e aumento da rejeição ao atual presidente.

O Caso Master não será apenas mais um escândalo institucional; ele tende a se tornar um dos temas centrais da eleição de 2026. O episódio pressiona os dois lados do espectro político: fortalece o discurso de enfrentamento ao Supremo na direita e cria um dilema para o campo governista, que precisa defender as instituições sem ignorar o desgaste crescente da Corte. Quando a confiança institucional entra no centro do debate, a eleição deixa de ser apenas ideológica e passa a ser também uma disputa sobre quem consegue convencer o eleitor de que pode reorganizar o equilíbrio entre os poderes.