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Família e escola têm papel decisivo na identificação dos sinais e no apoio à criança, explica médico da Prima Cordis

Leitura lenta, dificuldade para relacionar letras e sons e sofrimento diante das tarefas escritas não devem ser interpretados automaticamente como falta de esforço. Quando persistentes, esses sinais precisam ser investigados. A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem que afeta principalmente o desenvolvimento da leitura, com repercussões na escrita, sem definir a inteligência ou o potencial da criança.

“Uma criança pode compreender bem explicações orais, demonstrar curiosidade e querer aprender, mas enfrentar dificuldades importantes para reconhecer palavras, ler com fluência e escrever com precisão”, explica Marcos Fernando Theodoro, médico do corpo clínico da Prima Cordis, pós-graduado em Psiquiatria. Segundo ele, o esforço exigido pode ser maior do que os adultos percebem.

Sem compreensão e apoio, a experiência escolar pode se tornar marcada por frustração, vergonha, medo de errar e tentativas de evitar atividades de leitura. Por isso, o acompanhamento deve considerar não apenas o desempenho acadêmico, mas também o impacto emocional das dificuldades.

O padrão de dificuldade importa mais que um erro isolado

Entre os sinais que merecem atenção estão dificuldade para associar letras aos sons, leitura muito trabalhosa, erros frequentes ao reconhecer palavras e problemas persistentes de ortografia. Uma diferença marcante entre o desempenho oral e o escrito também pode ajudar a identificar a necessidade de investigação.

“Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma dislexia. O que chama atenção é a persistência do padrão, principalmente quando a dificuldade permanece mesmo com ensino adequado e apoio”, destaca Theodoro. Trocas ocasionais de letras, por exemplo, não bastam para estabelecer o diagnóstico.

Outros fatores também precisam ser considerados, como faltas escolares, ensino inadequado, alterações de visão ou audição, dificuldades de atenção e ansiedade. A avaliação deve compreender como a criança aprende e não apenas atribuir um nome ao problema.

Família e escola precisam compartilhar observações

A família pode perceber demora excessiva no dever de casa, resistência à leitura e falas de desvalorização, como dizer que não consegue aprender. Já a escola acompanha o desenvolvimento acadêmico e identifica dificuldades recorrentes em relação à etapa de escolarização.

“Família e escola funcionam melhor quando deixam de perguntar por que a criança não consegue e passam a perguntar de que forma ela consegue aprender melhor”, afirma o médico. Compartilhar essas observações ajuda a orientar a busca por avaliação especializada, que pode envolver fonoaudiólogo, psicopedagogo, neuropsicólogo e médico, conforme a necessidade.

Em casa, ler junto, reconhecer pequenas conquistas, evitar comparações e organizar momentos de estudo com pausas são formas de oferecer apoio. Na escola, identificar precocemente as dificuldades permite planejar intervenções pedagógicas adequadas. O objetivo, segundo o médico, é evitar que a criança acumule experiências de fracasso e ajudá-la a encontrar caminhos para aprender. “Dificuldade para ler não significa dificuldade para pensar”, conclui.