Desfile Baianas Ozadas 2026 – Julia Lanari.

 

A uma semana do fim do cadastro de blocos da Prefeitura, agremiações ensaiam em bares e praças e cobram infraestrutura para a preparação; capital encerrou 2026 com recorde de 6,6 milhões de foliões

 A contagem regressiva para o Carnaval de Belo Horizonte de 2027 já começou. O período oficial da festa, definido pela Prefeitura de Belo Horizonte, vai de 23 de janeiro a 14 de fevereiro de 2027, com a terça-feira de Carnaval marcada para 9 de fevereiro — daqui a exatos cinco meses. E, mesmo antes disso, a cidade já respira folia: as agremiações abriram os preparativos para a próxima edição, com ensaios de bateria, alas e repertório acontecendo em bares, praças e espaços improvisados. Até 18 de setembro, os blocos interessados em desfilar devem fazer o cadastro gratuito junto à PBH, etapa que ajuda a planejar a organização do evento.

A dimensão do que está em jogo justifica a antecedência. Segundo o balanço oficial da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur, o Carnaval de 2026 reuniu 6,6 milhões de foliões ao longo de 23 dias, com 457 desfiles de blocos de rua e R$ 1,4 bilhão em movimentação econômica na capital. Foram 612 blocos cadastrados e 660 cortejos, recorde que consolidou BH como o terceiro maior destino carnavalesco do país.

Por trás da grandeza, porém, o trabalho já começou. Meses antes da folia oficial tomar as ruas, já começam os preparativos, com ensaios abertos de bateria, alas e repertório acontecendo em espaços públicos, bares e praças da cidade. É nesses encontros que os ritmistas ajustam o tempo, novos integrantes são incorporados e o repertório que vai animar milhões de pessoas ganha forma.

Essa energia, no entanto, esbarra em um gargalo conhecido de quem constrói a festa: a falta de espaços adequados para ensaios. Sem locais próprios, as agremiações dependem da boa vontade de bares, praças, parques e centros culturais parceiros, disputando horários e enfrentando limitações de acústica, estrutura de som e logística — situação relatada há anos por blocos e entidades do setor.

“O Carnaval de Belo Horizonte se tornou uma das maiores festas de rua do Brasil, e essa grandeza é construída com muito trabalho, que começa cedo. Neste momento, os blocos já estão ensaiando, produzindo repertório, organizando alas e baterias, porque sabemos que uma festa desse porte não nasce na véspera — ela é gestada o ano inteiro”, afirma Polly Paixão, produtora cultural que atua na folia da capital mineira desde 2016 com diversos blocos.

“A grandeza da festa, porém, não pode esconder os desafios de quem a faz. O financiamento é uma parte da equação, mas existe outra tão crucial quanto: os espaços para ensaiar. Hoje, muitas agremiações ensaiam em bares, praças e locais improvisados, disputando estrutura e horários. Para que o Carnaval continue crescendo com a qualidade que a cidade merece, é fundamental garantir condições dignas de preparação para os blocos”, completa Polly Paixão.